Aos formandos e formadores da turma do curso EFA/NS, aos seguidores e visitantes deste blog, desejamos continuação de Boas Festas e um FELIZ ANO NOVO!
Blog do curso de Educação e Formação de Adultos, de Nível Secundário (EFA-NS) e de Habilitação Escolar, da Escola Secundária de Tondela
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
"Contos em viagem - Cabo Verde", Finta, ACERT
No dia 30 de novembro, formandos e professores assistiram à peça teatral "Contos em viagem - Cabo Verde", no âmbito do Festival Internacional de Teatro da ACERT (FINTA).
Os textos e a música de Cabo Verde cruzaram o mar e as ilhas, atravessaram tempos e lugares e de Cabo Verde chegaram até nós, através da atuação magnífica da atriz Carla Galvão e do músico Fernando Mota.
Com esta peça ficámos a conhecer um pouco mais sobre a paisagem, as gentes e a cultura de Cabo Verde: a poesia, a tradição oral, a musica, a dança, a religião e a língua.
Evocamos um momento que nos emocionou: no decorrer do espectáculo a atriz começou a cantar a canção “Sodade” da cantora cabo-verdiana Cesária Évora e o público aderiu, cantando também com entusiasmo.
Ficou em nós a curiosidade e o desejo de um dia vir a conhecer as dez ilhas de Cabo Verde: Boa Vista, Brava, Maio, Maio, São Nicolau, Fogo, Santo Antão, Santiago e São Vicente.
“Sodade, Sodade, Sodade” dessa terra que ainda não conhecemos.
Foi uma das peças de que mais gostámos até hoje e que irá perdurar na nossa memória, mesmo depois de terminado este curso.
Os formandos do curso EFA-NS
Palestra "Arquitetura e Urbanismo"
No dia 28 de novembro, assistimos à palestra “Arquitetura e Urbanismo” proferida pelo arquiteto Miguel Costa da Câmara Municipal de Tondela.
Em STC e CLC, no núcleo gerador 6, trata-se o tema “Urbanismo e Mobilidade”. Esta palestra foi assim muito oportuna porque contribuiu para enriquecer os nossos conhecimentos sobre esta temática e permitiu relacioná-la com a realidade do nosso concelho: Tondela.
O arquiteto Miguel Costa abordou conceitos como “urbanismo”, “arquitetura”, “ordenamento do território” e “Plano Diretor Municipal”, dando exemplos concretos de operacionalização destes conceitos na realidade local, ilustrando as suas explicações com a projeção de diversas imagens. Falou sobre os desenvolvimentos urbanísticos no nosso concelho nos últimos dez anos e sobre a aposta nos espaços verdes e de lazer que têm contribuído para a melhoria da qualidade de vida e têm atraído muitos visitantes à cidade de Tondela.
Gostámos também bastante de consultar os livros facultados pelo arquiteto sobre as temáticas abordadas.
A palestra terminou com “chave de ouro” num momento de convívio “à volta da mesa”, entre todos os intervenientes (palestrante, professores e formandos).
sábado, 3 de dezembro de 2011
Noite de São Martinho - 11 de novembro, 2011
No dia de 11 de novembro, fizemos um magusto para celebrar o S. Martinho na escola, com os nossos professores e o srº José António, assistente operacional da noite.
Reza a lenda que, "num dia tempestuoso ia São Martinho, valoroso soldado romano, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante... São Martinho não hesitou: parou o cavalo, poisou a sua mão carinhosamente na do pobre e, em seguida, com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo. E, apesar de mal agasalhado e sob chuva intensa, preparava-se para continuar o seu caminho, cheio de felicidade. Mas, subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de Estio inundou a terra de luz e calor. Diz-se que Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a benção dum sol quente e miraculoso." É o chamado Verão de São Martinho!"
E tal como nesta lenda de São Martinho, também estava frio e chuvoso lá fora, mas dentro da escola passámos uma noite agradável de convívio e camaradagem, acompanhados de saborosas castanhas e muito mais...
E como não podia deixar de ser, testámos a nossa veia poética com algumas quadras, para celebrar a ocasião:
S. Martinho magusteiro
amigo da turma EFA
É graças a ti
Que fazemos esta festa.
Pelo São Martinho
Lá fora chovia
Mas nós estávamos quentinhos
E a jeropiga escorria.
(Não pensem mal de nós: festa é festa!)
Foi uma noite divertida
Com boa companhia,
Castanhas assadas, doçaria,
E muita alegria!
Festa Mundial da Animação 2011, na ACERT, Tondela
No dia 28 de outubro de 2011, assistimos aos dois programa exibidos pela ACERT, no âmbito da iniciativa Festa Mundial da Animação.
A Festa Mundial da Animação é um evento de dimensão mundial que celebra a arte da animação, organizada em Portugal pela Casa da Animação.
Pontuada pelo Dia Internacional da Animação, em homenagem à primeira apresentação pública do Teatro Ótico de Emile Reynaud, a 28 de Outubro de 1892, esta festa celebrou este ano a sua 10ª edição mundial.
Visualizámos diversas curta-metragens de animação para crianças e para adultos, de realizadores nacionais e estrangeiros. O programa de que mais gostámos foi, claro, aquele direcionado para o público adulto. Foi sem dúvida uma oportunidade única de ver cinema de animação de grande qualidade.
E como chegámos cedo, ainda tivemos tempo para alguns momentos de convívio entre colegas e professores.
Os formandos do curso EFA
Os formandos do curso EFA
Peça teatral EM VIAGEM - Trigo Limpo teatro ACERT
“…e fomos até ter vista da ilha, mais por teima que por outra coisa, e não achámos saída; e não achando saída fizemos um bordo de sudoeste para a contrabanda donde viemos, onde andámos quinze dias sem poder sair com muita chuva, vento e frio.”
In História Trágico-Marítima
Um casal (que faz talvez lembrar os antigos Descobridores) parte em viagem e depara-se com uma encruzilhada. Devemos estar a chegar – disse o homem. E continuaram. Devemos estar enganados. Devemos ter vindo por um caminho errado – disse a mulher. Com certeza que nos enganámos no caminho. O que é que vamos fazer? Seguir em frente. E seguiram… Numa sucessão de enganos, chegam a diversos sítios, mas continuam a perder-se e não encontram o caminho de regresso.
A propósito desta atividade, escreveram os formandos:
No dia 4 de outubro, foi-nos proporcionado uma visita à ACERT, para vermos a peça Em viagem.
O espectáculo baseia-se numa narrativa dramatúrgica onde se entrecruzam os contos “A Viagem”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, e “História Trágico-Marítima”, de Bernardo G. de Brito.
Nesta peça contracenaram atores profissionais da companhia Trigo Limpo e atores amadores, que estiveram à altura de tão grande responsabilidade.
Esta peça faz-nos lembrar os grandes perigos que os nossos antepassados tiveram de enfrentar durante as viagens marítimas. Mas parece-nos que é também uma viagem ao mundo da interioridade, onde por vezes as pessoas se refugiam e isolam para esquecerem os problemas "lá fora".
Para os tempos que correm , e tratando-se da estreia desta peça, a sala estava completa. E foi com muito gosto que nós fizemos parte desta grande plateia...
... e até da própria peça. Todos os espetadores se transformaram em figurantes ao contracenarem com os atores quando estes se dirigiam para a sala de espetáculos, pelo que o cenário da peça foi para além do palco propriamente dito:
... e até da própria peça. Todos os espetadores se transformaram em figurantes ao contracenarem com os atores quando estes se dirigiam para a sala de espetáculos, pelo que o cenário da peça foi para além do palco propriamente dito:
Visita guiada à exposição Instrumentos Musicais Chineses
No dia 3 de outubro, os formandos, formadores e mediadora da turma do curso EFA-NS visitaram a exposição “Instrumentos Musicais Chineses” no Mercado Velho de Tondela.
Organizada pela Câmara Municipal de Tondela e Museu Terras de Besteiros, com o apoio da Embaixada da República Popular da China, esta exposição foi uma oportunidade única de conhecer a imensa riqueza da tradição e da música chinesa e as suas profundas relações com a realidade cultural indiana, iraniana e da Ásia Central. Com um total de cerca de 50 instrumentos musicais de sopro, cordas e de percussão, fabricados em osso, pedra, madeira, bambu e terracota, em que o público visitante pôde apreciar e mesmo tocar, esta exposição pretendeu mostrar a evolução da história musical chinesa e, ao mesmo tempo, compará-la com os instrumentos musicais ocidentais.
Tratou-se de uma experiência de aprendizagem e interculturalidade muito apreciada pelos nossos formandos, que assim a comentam:
Nesta visita à exposição vimos alguns instrumentos mais importantes da China antiga e que perduraram até ao nosso tempo. Nós, formandos, até tivemos a honra de experimentar alguns desses instrumentos que são uma rara mostra do que é a musica na China. Os instrumentos bian qing e o zheng e os tambores (drums) foram alguns dos mais requisitados e o entusiasmo foi grande quando os experimentámos.
De seguida vimos um documentário sobre o seu fabrico e a forma como eles são utilizados pelo povo chinês. O dr. Helder Abraços deu também uma boa explicação sobre a história de cada instrumento e a sua finalidade.
Foi sem dúvida um grande gesto da embaixada da República Popular da China mostrar esta exposição, não só ao nosso país, mas a todo o mundo. A cultura chinesa ficou assim mais perto de nós e esta proximidade ajuda a uma melhor compreensão e apreciação.
Alguns momentos em fotografia…
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Ambiente à nossa porta
Em CLC, no NG "Ambiente e Sustentabilidade", fizemos trabalho de campo. Pegámos nas nossas máquinas fotográficas e focámos a realidade do nosso concelho: Tondela.
Ambiente e Sustentabilidade
DR4 Paisagem
DR4 Lixo vs Vida
Ambiente e Sustentabilidade
DR4 Paisagem
DR4 Lixo vs Vida
Reciclagem
Neste trabalho de STC (NG2; Tema: "Residuos e Reciclagem"), falamos sobre a política dos 3 R's, aprofundando o Reciclar. Como dizia Lavoisier: "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma." Mas nós devemos dar "uma ajudinha". Afinal é a nossa própria sobrevivência que está em causa.
Rafael Lopes
Reciclagem Rafael
Cadeira de rodas
Em STC, no Núcleo Gerador Equipamentos e Sistemas Técnicos, Tema Transformações e Evoluções Técnicas, decidimos falar sobre a evolução da cadeira de rodas, bem como sobre a realidade do nosso país e do nosso concelho no que respeita às várias possibilidades de aquisição deste equipamento, visto que um elemento do nosso grupo de trabalho a utiliza habitualmente.
Os formandos: Paula Pereira e Rui Pereira
Cadeira de Rodas Uc1
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
BEM VINDOS AO ANO LECTIVO 2011/12!
Visita de estudo à FICTON (Feira Industrial e Comercial de Tondela), em 15 de Setembro.
Música, artesanato, gastronomia, ofertas empresariais, foram alguns dos importantes destaques da FICTON 2011. Neste dia, no interior do pavilhão, visitámos 52 empresas e instituições e no exterior 42 artesãos, destacando-se ainda a feira das freguesias pela qual passámos, assim como a exposição de aves.
Assistimos à sessão de abertura, em que o Presidente da Câmara municipal de Tondela, Dr. Carlos Marta, mostrou a sua preocupação pelo quadro actual da economia do nosso país, mas destacou o dinamismo que caracteriza o nosso concelho. O Presidente da Câmara dirigiu as seguintes palavras para todos os participantes/expositores, que estiveram na FICTON: “São uma prova de persistência e muita coragem. Em tempos tão difíceis não ficaram em casa, à espera que alguém lhes resolva os seus problemas. Estão aqui com as suas empresas – comércio e indústria, artesanato, para afirmar as suas marcas e negócios e também o seu talento.” Parece-nos que foi um discurso interessante e encorajador.
De seguida visitámos os vários expositores de artesanato, como por exemplo: olaria, tanoaria, cestaria, gravura em madeira, serralharia, pintura, bordados, etc.
Dedicámos também a nossa atenção aos espaços próprios de outras entidades concelhias (freguesias, empresas, instituições, associações), em que cada um mostrou os seus projectos e acções. Esta visita também foi muito interessante, sobretudo porque as empresas em que alguns de nós trabalham estavam lá representadas. Dialogámos com os colaboradores e representantes de várias empresas e instituições, recolhemos folhetos informativas sobre as mesmas e também algumas ideias para trabalhos e actividades a desenvolver no âmbito dos temas “Identidades e Patrimónios Culturais” e “Empresas, organizações e modelos de gestão”.
E como o nosso trabalho também incluiu festa, provámos alguns produtos regionais e assistimos ao concerto da Áurea, que cantou muito bem.
Para nós, foi um momento muito agradável de aprendizagem e de convívio.
Os formandos do curso EFA-NS
sábado, 16 de julho de 2011
Jantar/convívio de final de ano - 15 de Julho de 2011
"O que vamos então escrever no livro de recordações?", pergunta a Paula.
A "candeia" ilumina o momento das assinaturas.
E eis o nosso texto...para mais tarde recordar.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
SESSÃO DE ESCLARECIMENTO SOBRE ACESSO AO ENSINO SUPERIOR
No dia 5 de Julho, as psicólogas dos Serviços de Psicologias e Orientação da nossa escola, Carla Maísa e Márcia Alves, promoveram uma sessão de esclarecimento sobre acesso ao ensino superior, para os formandos do curso EFA-NS.
A sessão foi cuidadosamente preparada e orientada pelas psicólogas, que tomaram em consideração o percurso formativo e a faixa etária dos formandos, esclarecendo todas as dúvidas e questões por eles colocadas.
EFA_-_Acesso_Ensino_Superior
A sessão foi cuidadosamente preparada e orientada pelas psicólogas, que tomaram em consideração o percurso formativo e a faixa etária dos formandos, esclarecendo todas as dúvidas e questões por eles colocadas.
EFA_-_Acesso_Ensino_Superior
domingo, 3 de julho de 2011
Visita de Estudo à ETAR na zona sul da cidade de Tondela.
No dia 30 de Junho, os formandos do curso, acompanhados por todos os formadores e pela mediadora, realizaram uma visita de estudo à Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), na zona sul da cidade de Tondela.
À semelhança de outras actividades anteriores, a turma do curso EFA-NS pôde contar com a colaboração da Câmara Municipal de Tondela, que disponibilizou os recursos necessários para tornar esta visita o mais proveitosa possível.
A visita foi orientada pela engenheira Cecília Costa, que esclareceu os presentes sobre as diversas fases do tratamento das águas residuais domésticas, bem como sobre o funcionamento de todos os equipamentos necessários para esse tratamento.
Objectivos da visita de estudo:
- Proporcionar situações de aprendizagem em contexto real, articulando a formação escolar com o saber dos agentes da comunidade local;
- Aprofundar conhecimentos relativos ao Núcleo Gerador “Ambiente e Sustentabilidade” das áreas de STC e CLC, relacionando-os com a realidade local;
- Verificar in loco o processo de tratamento dos efluentes urbanos;
- Relacionar a responsabilidade ambiental das instituições, empresas e indivíduos com as suas práticas diárias, ao nível da preservação do ambiente.
Alguns momentos...
O grupo à entrada da ETAR, no início da visita. Quem veio mais tarde não ficou na fotografia...
O pré tratamento das águas residuais ocorre na obra de entrada, que é constituída por grades e por um descarregador Parshall. Nas grades ficam retidos os sólidos de maior dimensão, como trapos, plásticos, madeiras.
A água residual, já sem sólidos grosseiros, flui graviticamente para o decantador primário, que tem como função decantar as partículas que conseguiram passar nas grades.
As águas residuais, depois de passarem pelo decantador primário, fluem para o tanque de arejamento onde ocorre a degradação da matéria orgânica através da biomassa em suspensãob - microorganismos aeróbios (lamas activadas).
O oxigénio necessário é fornecido através de uma turbina de arejamento superficial que, além de assegurar o contacto biomassa-ar, produz a agitação necessária para a biomassa em suspensão.
O efluente é encaminhado para o decantador secundário, onde o clarificado, efluente tratado (à superfície), sai para a linha de água - Ribeira da Mata.
O tratamento das lamas ocorre no digestor anaeróbico (ao fundo na imagem) e nos leitos de secagem. No primeiro, sofrem uma redução de volume através da degradação anaeróbica (na ausência de oxigénio). A digestão das lamas necessita de aproximadamente 60 dias, para que ocorra um boa degradação.
Após a degradação, as lamas são descarregadas nos leitos de secagem, onde são desidratadas por acção do sol. Depois de secas e analisadas em laboratório (para verificar se cumprem os requisitos legais), poderão ser aplicadas na agricultura como fertilizantes.
O professor João Costa ajuda a explicar este processo, como especialista na matéria que é.
Ouvindo atentamente a explicação da engenheira Cecília Costa, da Câmara Municipal de Tondela.
Admirando a "horta" de tomateiros que cresceu espontaneamente nos leitos de secagem das lamas. Depois de passaram pelo sistema digestivo humano e por todas as fases do tratamento das águas residuais, as resistentes sementinhas encontram finalmente terreno fértil para germinarem.
Vai uma saladinha de tomate? (com E.coli, claro!)
Um momento de boa disposição.
O nosso obrigado à engenheira Cecília Costa e ao sr. José António, por tão bem terem recebido o nosso grupo.
O nosso obrigado à engenheira Cecília Costa e ao sr. José António, por tão bem terem recebido o nosso grupo.
domingo, 29 de maio de 2011
INFORMAÇÕES SOBRE O CURSO EFA-NS
Visualize o documento abaixo e saiba mais sobre o Curso EFA-NS: enquadramento normativo; documentos de referência; equipa pedagógica; organização curricular; organização e desenvolvimento; avaliação e certificação.
EFA-NS Esc. Sec. Tondela
Para conhecer o Plano de Formação, Plano Curricular e Plano de Actividades do curso EFA-NS da nossa escola, clique do lado direito em 2010 e, seguidamente, em Novembro.EFA-NS Esc. Sec. Tondela
1-Referencial
RefSec Guia Operacionalização
sábado, 7 de maio de 2011
TERTÚLIA LITERÁRIA
"(...) o ler dos bons livros e boa conversação faz acrescentar o saber e virtudes como cresce o corpo, que nunca se conhece senão passando por tempo: de pequeno que era, se acha grande, e o delgado fornido."
D. Duarte (1391-1438)
De "bons livros" e de "boa conversação", numa partilha de gostos e percursos de leitura, se fez o serão do dia 27 de Abril, para os formandos e professores do curso EFA/NS.
Khalil Gibran, Luís de Camões, Cesário Verde, Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Herberto Helder, Manuel Alegre e Nuno Júdice foram alguns dos poetas lidos e celebrados nesta conversa nocturna de tertulianos.
Alguns poetas e poemas...
KHALIL GIBRAN
O Espantalho
Certo dia disse a um espantalho: -Deves estar cansado de ficar quieto no meio deste campo deserto.
Ele respondeu-me: -O prazer de espantar é profundo e grande, nunca me cansa.
É verdade, disse eu, também já conheci esse prazer.
Ele respondeu: -Só podem conhecer esse prazer os que estão cheios de palha.
Afastei-me dele sem saber se a sua resposta era de elogio ou de troça.
Certo dia disse a um espantalho: -Deves estar cansado de ficar quieto no meio deste campo deserto.
Ele respondeu-me: -O prazer de espantar é profundo e grande, nunca me cansa.
É verdade, disse eu, também já conheci esse prazer.
Ele respondeu: -Só podem conhecer esse prazer os que estão cheios de palha.
Afastei-me dele sem saber se a sua resposta era de elogio ou de troça.
O Louco
Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim: Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.
LUÍS DE CAMÕES
Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
CESÁRIO VERDE
De Tarde
Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro de papoulas!
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro de papoulas!
FLORBELA ESPANCA
É Primavera agora, meu Amor!
O campo despe a veste de estamenha;
Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto, todo em flor!
O campo despe a veste de estamenha;
Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto, todo em flor!
.
Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
Da vida... não há bem que nos não venha
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!
.
Também despi meu triste burel pardo,
E agora cheiro a rosmaninho e a nardo
E ando agora tonta, à tua espera...
E agora cheiro a rosmaninho e a nardo
E ando agora tonta, à tua espera...
.
Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos...
Parecem um rosal! Vem desprendê-los!
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...
Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos...
Parecem um rosal! Vem desprendê-los!
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...
EUGÉNIO DE ANDRADE
As Palavras
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Poema à Mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
NUNO JÚDICE
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